É meus amigos,
acho que com o fogo queimando o palestra itália é chegada uma boa hora para fazer uma avaliação da gestão Belluzo.
Não. Não apressarei a dizer que ele é o pior dirigente dos últimos anos ou da história do Palmeiras. Eu sou apaixonado pelo clube, não um cego.
Desde que chegou, Belluzo (e sua equipe) fez coisas importantíssimas pelo Palmeiras. Elevou o valor dos patrocínios, deu início a um processo de modernização, investiu na reforma do Palestra Itália, reformulou as categorias de base (que perderam na semifinal da Copa-SP para o Santos e ganharam o Paulista sub-20), montou um time que liderou por 18 rodadas o campeonato brasileiro, manteve todos os jogadores na temida janela e depois viu esse time, com o atual treinador tricampeão do torneio perder o título mais ganho da história dos pontos corridos no Brasileirão por motivos que nem os Deuses do futebol saberiam explicar. Enfim, tomou muitas medidas importantes para o clube.
Por outro lado, minha leitura é a de que Belluzo não tem o mesmo talento político que tem como gestor. E sua inabilidade política acabou por, definitivamente, levar o clube a uma situação inadministrável. Belluzo se queimou dando chilique com a arbitragem e xingando os arqui-rivais. Expôs-se além do necessário e do devido indo a programas de TV e à arquibancada. Não soube preservar sua imagem. Está sempre no centro das atenções e, não por outro motivo, hoje é alvo da fúria da torcida.
O Palmeiras atual, aliás, perdeu uma das coisas que diferenciavam a gestão Belluzo em seu início. Atualmente, não se sabe quem manda, quem é o porta-voz do futebol do clube. Na ânsia de satisfazer a torcida, a diretoria vaza as negociações em curso, dá como certas contratações ainda não efetivadas. Quando os burros acabam n’água, a frustração da massa é imensurável. Nesse contexto, o que antes era um desejo da torcida (como a Arena Palestra), passou a representar a “perda” ou “a entrega” da nossa casa.
Como resultado, hoje não há como planejar no Palmeiras. A oposição está em polvorosa, os dirigentes acuados, os jogadores desmotivados e com vencimentos atrasados (até a franqueza em assumir os atrasos e dizer aos jogadores que tudo seria resolvido, antes recebida com bons olhos pelos jogadores, agora ecoa na imprensa como sinais do atraso do Palmeiras). Nos últimos 12 meses, toda a comissão técnica foi trocada, do fisiologista ao preparador físico. Poucos (o treinador de goleiros, se não me engano, é um deles) restaram.
Talvez essas trocas tenham sido para melhor, mas levam tempo para se consolidar. E enquanto isso, o time patina e oscila, o que é natural, porém imperdoável, para uma torcida que cansou de assistir seus rivais prosperarem sem beliscar nem ao menos um paulista a cada 3 anos.
Alguns problemas ainda são nítidos no Palmeiras. Nesses Belluzo tem total responsabilidade. A assessoria de imprensa faz um trabalho horrível, dando-se ao trabalho de responder por notas oficiais do clube considerações babacas como as do colunista Cosme Rímoli. O Palmeiras, apesar de ter adaptado todo seu site para celular (o que é louvável), não tem sequer um canal no YouTube, onde os fãs possam acessar as entrevistas coletivas do clube independentemente de pagar uma TV a cabo.
Por fim, e isso mereceria um capítulo à parte, a torcida sucumbiu definitivamente às intrigas da oposição. Afoita por títulos, pede em blogs e twitters a renúncia coletiva da diretoria. Não dá paz aos jogadores do clube, mesmo quando são indiscutivelmente bons de bola. K9, V. Love e Diego Souza cansaram-se de ser hostilizados por não assumir a responsabilidade quando quem deveria ser hostilizado eram o Armero, o Marquinhos e outros que não possuem qualidade para vestir a camisa alviverde. Com esse clima, o Palmeiras consegue perder a disputa por bons jogadores até para o Fluminense, um clube que não tem 1/4 de seus títulos ou de sua torcida.
A crise está feia. Mas ainda pode piorar.
Se no atual momento, só Felipão e Valdívia poderiam trazer algum tipo de paz ao Palmeiras, fazendo a torcida se acalamar, a pergunta que não cala é: será que eles estão afim de encarar essa bucha?
Enquanto isso, a oposição não dará trégua. E o custo dos fracassos dentro de campo no ano passado, quando tudo ou praticamente tudo foi feito corretamente, pode fazer surgir o monstro da lagoa e seus pupilos. Mustafá, Palaia (aquele que mandou o Tite calar a boca) e sua turma estão à espreita do poder. Tolos são aqueles que não enxergam o óbvio.
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