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Esse é o meu Palmeiras

Porto Velho, Rondônia. Aqui estou no dia 19 de agosto de 2010. Um dia que vai ficar marcado no coração do palmeirense por diversos motivos.

Foi um dia de festa para o já canonizado São Marcos, vestindo a camisa do Palmeiras pela 500ª vez em jogos oficiais. Mas era dia de apreensão, também, pois sem Kléber, Valdivia e Lincoln, os principais homens de frente do time, o Palmeiras entrou em campo com a missão de fazer 3 gols no vice-campeão da Copa do Brasil, o Vitória-BA.

Felipão teve papel crucial em tudo o que se passou no Pacaembú nesta noite. Durante a semana, fez questão de cortar o oba-oba em relação a festa para o eterno ídolo Marcão. Fez mais. Convocou a torcida e pediu que, durante a partida, vibrasse como ele vibra, colocasse pressão no árbitro. Felipão mexeu com os brios do time, que entrou concentrado e foi aplicado taticamente, obedecendo rigorosamente aos seus comandos do começo ao fim da partida. Felipão comprou briga com o árbitro ainda no 1º tempo. Por tudo o que fez durante a semana, pelos pedidos de vibração, conseguiu induzir a torcida a fazer uma bela homenagem à Heber Roberto Lopes, colocando a pressão sobre o árbitro e deixando uma coisa bem clara para todos que assistiram a partida: o Palmeiras jogava em casa.

Saída do jogo Palmeiras e Corinthians pelo portão principal. Afinal, o Pacaembú é nossa casa.

Saída do jogo Palmeiras e Corinthians pelo portão principal. Afinal, o Pacaembú é nossa casa.

Se fora de campo a estrela de Felipão brilhou, em campo o dia era de Marcos. De #Marcos500, porque foi Marcos quem indicou a contratação do atacante Tadeu, que ainda no primeiro tempo meteu uma bola na forquilha, de cabeça, após cruzamento do bom de bola Tinga. Bola na trave não vale ponto, e Tadeu apareceu de novo no último minuto do primeiro tempo para deixar o sonho palmeirense vivo. Arrancou em velocidade e tocou por cima do goleiro Viáfara. Fim de 1º tempo, 1 a 0 para o Palmeiras.

No segundo tempo, Felipão manteve o mesmo time. Três zagueiros em campo: Maurício Ramos e Danilo jogando como zagueiros de verdade, enquanto Fabrício atuava como lateral-esquerdo. Rivaldo, que faria a ala caso o Vitória viesse com dois atacantes, deslocou-se para o meio-campo. Na lateral-direita, o improvisado e disciplinado Márcio Araújo. Três volantes: Edinho e Marcos Assunção mais na contenção. Tinga subindo com qualidade ao ataque. Na frente Luan, dando canseira na zaga baiana ao partir com a bola dominada e fazendo um bom trabalho de pivô. E ele, Tadeu!

Tadeu honrou a indicação do homenageado da noite apertando o goleiro Viáfara na lateral e forçando um passe errado que caiu nos pés de Fabrício na lateral-esquerda. Com Viáfara fora do gol e após bom corte, Fabrício mostrou visão de jogo e inverteu a jogada para Márcio Araújo, que dominou com dificuldades e finalizou mal. Mas a estrela de Tadeu brilhava forte na noite. Após desvio da zaga, o atacante apareceu no costado da zaga para fazer o segundo gol alviverde.

Com 2 a 0 no placar e a partida se encaminhando para os pênaltis, o monstro Felipão fez alterações que eu jamais faria. Sacou o bom Fabrício e o atacante Luan, promovendo a entrada de Ewerthon e Patrik. O Palmeiras demorou para reencontrar o seu futebol, promovendo poucas jogadas com efetivo perigo. Parecia que era para o Santo brilhar novamente, num roteiro desenhado especialmente para ele. Pênaltis e vitória do Palmeiras. Seria dramático e extasiante para os 22 mil presentes. Mas outro Marcos queria demais a vitória.

Com 33 anos, após noventa minutos incansáveis, após um ;ultimo pique e um carrinho que lhe deixou estatelado no chão aos 43 do segundo tempo, Marcos Assunção segurou com carinho a bola nas mãos para bater falta sofrida pelo ótimo Tinga. Assunção secou a bola na camisa e devolveu ao Palmeiras algo que há muito o Palmeiras havia deixado de ter: a bola parada. Algo que define partidas, classificações e que é essencial para qualquer time que almeje ser vencedor. No dia de São Marcos, Assunção lhe deu de presente uma obra de arte, uma verdadeira pintura.

Em Porto Velho, onde estou por motivos profissionais neste momento, um restaurante cheio de palmeirenses explodiu em festa.

A torcida em Porto Velho, Rondonia, ficou apreensiva, mas fez a festa no final!

A torcida em Porto Velho, Rondonia, ficou apreensiva, mas fez a festa no final!

A classificação e o gol de Assunção foi um merecido prêmio para o time mais aplicado e mais organizado. Um prêmio para os 22 mil palmeirenses que honraram as tradições da torcida alviverde no Pacaembú e para os tantos outros que ao redor do Brasil e do mundo gritavam eufóricos com o renascimento verde. Um prêmio para os atletas e treinador que honraram a camisa que vestiram. Um prêmio para o eterno Marcos, que será imortalizado nas alamedas de Palestra Itália quando chegar a hora, ao lado de Fiúme, Divino e Junqueira.

E acima de tudo, a partida contra o Vitória dá mostras que o gigante alviverde está despertando. Quando entrarem em campo Lincoln, Valdivia e Gladiador, vai ter mais chumbo na artilharia palestrina. Sob a batuta de Felião, eu só quero ver segurar.

Veja os gols abaixo:

Escute também a narração de José Silvério e de Deva Pascovicci. Vale a pena!

VAI PARMERA!


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