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O Primeiro Milagre de São Marcos Fora de Campo

No último sábado, dia 14, São Marcos operou o seu primeiro milagre fora dos campos. Antes do amistoso contra o Ajax, conseguiu fazer com que mais de 5000 pessoas saíssem de casa, espontaneamente, para lhe prestar as justas e devidas homenagens.

Mas o verdadeiro milagre do Santo, não foi esse. E para compreendê-lo, é preciso analisar a política palestrina em perspectiva, observando o que vem ocorrendo no Palmeiras desde a eleição de Arnaldo Tirone para nossa presidência.

Tirone assumiu a presidência no início de 2011 com amplo controle sobre a pauta do que deveria ser feito no Palmeiras. Ao fim da gestão Belluzzo (que considero excelente na parte administrativa, mas ruim na parte política), o clube estava mergulhado em um verdadeiro caos político. Devido aos problemas de saúde do Professor, Palaia assumiu a presidência do o clube, demitiu o diretor de futebol Gilberto Cipullo e mudou radicalmente a estrutura administrativa até então vigente, instalando um Conselho Gestor para o futebol.

Com as eleições, que Tirone venceu com ampla margem, o grupo de Mustafá retomou o controle sobre os rumos do Palmeiras, apoiado por outro grande cacique da política palestrina – Affonso Della Monica. Desde que tomou poss, este grupo pautou a imprensa através de duras críticas à gestão anterior que tinham por principal objetivo “apagar” os benefícios da gestão Belluzzo, ainda que às custas da reputação do clube, afirmando que o Palmeiras estava afundado em dívidas e que necessitava passar por uma reestruturação.

Ao longo dos primeiros 12 meses de gestão, Tirone e Frizzo promoveram aquilo que prometeram. Cortaram grandes salários do elenco (Edinho, Pierre, Lincoln, Kleber e, por motivo de aposentadoria, Marcos), sem trazer peças de reposição do mesmo nível. Cortaram gastos com impressoras e material de escritório. Colocaram em discussão o fim do Palmeiras B. Para desfazer todo o legado de Belluzzo, tentaram interromper a Arena e o programa de sócio-torcedor Avanti, o que só não foi possível por protestos da torcida e de grupos de oposição. Desprofissionalizaram o departamento de marketing e as categorias de base, instalando no poder destes departamentos, respectivamente, os conselheiros Rubens Reis e Jair Jussio. Demitiram toda a assessoria de imprensa, acabaram com o projeto do tênis de Flávio Saretta, entre tantas outras coisas.

Ao dedicar-se mais a desfazer o que já existia do que a propor novas formas de conduzir o clube, a gestão Tirone foi paulatinamente perdendo o controle sobre a pauta política no Palmeiras. Sem outros objetivos que não sanear as dívidas e cortar gastos, o resultado esportivo foi pífio em 2011. A ausência de vitórias e de competência para gerir os departamentos trouxe maus resultados para o clube, que cada vez mais mergulha em desentendimentos entre seus próprios membros. Em alguns casos, como foi escrito no Verdazzo, era o caso de bater na mesa. Mas Tirone é um conciliador, não um enfrentador, é lento demais para decidir e não consegue dar um próprio rumo à sua gestão.

O vácuo de poder instalado pela ausência de um líder capaz de tomar decisões rapidamente foi sentido por toda a comunidade palestrina: a situação rachou e Tirone perdeu o apoio de Mustafá Constursi, seu padrinho político mais importante (e nefasto). As contas apresentadas por Tirone passaram a ser reprovadas repetidas vezes.

Na esteira do vácuo administrativo instalado por Tirone, as alas de oposição, antes dispersas, organizaram-se em um bloco de oposição chamado Acorda Palmeiras. A partir do mínimo comum que as une (um pacto de não agressão e o pleito de eleições diretas), passaram a dialogar mais entre si. Os torcedores não organizados e dispersos passaram a se organizar através de redes sociais, criando um movimento pelas Diretas Já (apoiado por este blog) e manifestações como o abaixo-assinado com pedido de afastamendo de Roberto Frizzo da direção do futebol. No dia 04 de janeiro, a maior organizada alviverde foi à porta do CT protestar.

Foi assim que a gestão Tirone, no início de 2012, perdeu completamente a capacidade de pautar a mídia, inovar, inventar, criar, abrindo espaço para que torcedores comuns, oposição e organizadas dessem as cartas no Palmeiras. Cada um da sua própria maneira. Neste grande bloco de oposição, todos começaram a se unir, mas ainda faltava a união entre torcedores comuns e organizadas, que não raras vezes se colocaram em posições radicalmente distintas nos últimos tempos.

Basta ver que as organizadas não participaram das manifestações por diretas convocadas pelas redes sociais. E que estes torcedores comuns, com uma frequência cada vez maior, passaram a dizer que a organizada não representa toda a torcida do Palmeiras.

E assim chegamos ao dia 04 de janeiro. O contrato de Marcos acabou, o Santo afirmou que não iria renovar e nossa diretoria foi “pega de surpresa” (vamos torcer para o centenário não pegar nossa diretoria de surpresa também), evidenciando a completa falta de planejamento que assola o clube. Tirone e o marketing alviverde não tinham (e ainda não têm) um plano para Marcos, um jogo de despedida, ações de marketing, ideias para explorar a imagem de uma unanimidade.

Mais uma vez, os que não estão no poder (oposição e torcida) precisaram tomar as rédeas do clube para realizar um ato de homenagem. No dia 14 de janeiro fez-se a procissão para São Marcos. Somente Marcos, uma unanimidade (repita-se) dentro e fora do clube, para realizar o milagre que dá título a este post.

Saindo do Palestra Itália até o Pacaembú, a procissão organizada pelo movimento Acorda Palmeiras uniu torcedores organizados e desorganizados. A procissão caminhou em paz até o estádio municipal, onde a torcida apoiou durante 88 minutos o time que estava em campo. Pouco antes do fim, a indignação explodiu em uníssono da garganta de todos os presentes. “Ô ô ô, queremos jogador”, foi o primeiro grito. Tirone e Frizzo foram mandos para aquele lugar. A toricda pediu Tirone fora do Verdão e, cantou que o palmeiras não precisa desta diretoria. Veja o protesto abaixo, no minuto 48 do video.

Num ato de respeito ao dia de São Marcos, talvez, a torcida ainda entoou o hino do clube, sendo premiada com o gol de Pedro Carmona nos minutos finais..

O dia 14 de janeiro pode ter selado, sob o batismo das mãos santificadas de Marcos, a união entre organizadas e torcedores comuns. Agradecemos à São Marcos pelo que fez dentro dos campos. Devemos agradecer também, por realizar a proeza de aproximar, quiçá unir, todos os palmeirenses em uma só voz e objetivo. É somente esta união que nos levará a viver novamente nossos momentos de glória.


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